terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Mouro que amou.

Quando acordou, pensou que tudo tivesse sido um sonho. Ficou ansioso, e virou rapidamente para trás, mas ela não se encontrava mais lá. Era sua amiga que estava dormindo, tranquilamente, sem saber de sua inquietação. Não conseguia entender o que havia acontecido. Estava certamente feliz, sua felicidade não se continha dentro de si. Parecia que ia explodir em vários pedaços que não voltariam ao lugar. Pedaços que ficariam por aí, levados pelo vento frio do inverno, sem ter quem os recolhe-se. Sua alegria passou a tristeza. Profunda e agonizante. Ela foi embora pra sempre. E todo aquele tempo que passou tentando se acostumar com sua ausência parece ter sido em vão. Levantou-se, saiu da pequena casa velha e começou a caminhar. Depois correr. Muito rápido. Mas para onde? Sua pernas não respondiam, apenas se mexeram de maneira mais veloz. Parou no milharal. Sentou-se, e sem notar começou a chorar. Suas lágrimas vieram em abundância. Lavaram seu nome, seu rosto, seu corpo. Lavaram tudo em volta, deixaram apenas o interior. Lá haviam a saudade, o amor, a raiva, a solidão. Não sabia o que fazer. Como conseguiria viver a cada dia sabendo que nunca mais veria aquele sorriso, aquele olhar. Subitamente sentiu um suspiro vindo de dentro de si. Uma calmaria sem igual. Uma sensação de paz, que lhe fez esquecer tudo. Veio tão rápido quanto se foi. Então percebeu que ela tinha partido.

Você era linda Susie Salmon.





(Obs: Isso só fará sentido para quem viu o filme "Um olhar do Paraíso". Recomendo esse filme a todos.)


(Obs 2: Eu sei que prometi a segunda parte da história do Howard, mas logo logo ela sai. Preciso de inspiração e concentração.)

Um comentário:

  1. O filme é bom mesmo, e foi muito legal essa historia pós filme, da pra visualizar o personagem fazendo isso msm.

    ResponderExcluir