sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Do que fica em mim.
Presenciei um momento. Estava lá, na rua, caminhando, quando vi. Um momento fugaz, que me chamou a atenção. Duas pessoas, um homem e uma mulher, que provavelmente nunca haviam se visto, caminhavam em direções opostas. Eles lançaram um olhar um para o outro de maneira única. Uma coisa não ordinária, que se vê poucas vezes. Uma folha seca começou a cair de uma árvore próxima. O tempo parou. Aquele momento congelou em minha memória, e talvez na deles. Os dois então começaram a se mover lentamente, trespassando a solidez do tempo parado. E se beijaram. Delicadamente, intimamente. No quase silêncio daquele instante, podia-se ouvir o som molhado do beijado trocado, o som de batidas rápidas de tambor, o som dos dedos apertando as roupas do outro. A folha seca subitamente volta a cair, e toca o chão. O relógio volta a caminhar, a passos rápidos. Os dois retornam a seus caminhos opostos, sem virar, sem nem pensar. Aquele momento, tão doce, nunca existiu. Não no mundo terreno, mas existiu em mim. Provavelmente nunca mais se veriam, nunca poderão experimentar o caminho que poderiam ter tomado ao mudar de direção. Mais uma realidade que não se realiza, um rumo nunca conhecido. A poesia fica dentro. Fica na vontade. No momento que não volta mais.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário